Luana Granai

Atitude+

Histórias inspiradoras de pessoas que investiram na criatividade e empreenderam seus talentos.

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Luana Granai

quando a mulher descobre sua voz

“Luana, eu saí de casa para isso. Eu saí de casa para ver uma pessoa que se expressa com propriedade. Você é uma espécie de pavê, são várias camadas de coisas boas. Porque tem essa concentração, esse zen. E por outro lado você tem uma personalidade, uma voz completamente única”, avaliou Lulu Santos. 

Encarar as audições às cegas, ver as quatro cadeiras dos jurados virarem para aplaudi-la de pé e ainda receber, inesperadamente, uma avaliação inspiradora do Lulu Santos, foi só o início da experiência vivida por Luana Granai, 24 anos, ao subir no palco do The Voice Brasil pela primeira vez. Momentos únicos que, com certeza, ficarão guardados na memória.

Natural de Jaú, interior de São Paulo, atualmente ela mora com a mãe e o padrasto na cidade de Assis, também no interior paulista. Filha de pais separados, ela é a número quatro de cinco irmãos e começou a jornada materna cedo, aos 17 anos.

“Tenho três filhos: o João Pedro, de 7 anos, o Arthur, de 4, e a Elis, de 3. Ser mãe é o papel de maior impacto que eu exerço na vida. Gerar, educar e preparar pessoinhas para o mundo é glorioso, porém, não é trabalho fácil. É uma responsabilidade imensa, mas me dignifica”, orgulha-se da família.

Luana foi criada junto com seus irmãos, sempre com muita união, dentro de uma família numerosa: “A casa da minha avó sempre foi cheia e isso me conferiu todo o calor humano que eu precisava para florescer. Tenho lembranças bem vivas dos almoços na casa da minha avó materna, que juntava toda a família. Também me recordo de uma pracinha onde eu costumava brincar e fazer meus shows para as árvores”, relembra rindo.

Ela também amava suas bonecas, mas a diversão não era a que mais prendia sua atenção. Minhas brincadeiras sempre foram mais expansivas. Numa hora eu era professora, na outra apresentadora de TV ou vendedora. Mas, o que eu mais fazia era cantar. Eu cantava muito. O tempo todo. Cabo de vassoura era meu microfone”, alegra-se ao contar.

Por conta da maternidade, Luana parou os estudos, mas pretende retomá-los assim que possível. No dia a dia, a maior parte de sua rotina é dedicada aos filhos. Durante a pandemia de Covid-19, assim como aconteceu em diversos lares brasileiros, a nova realidade fez com que eles se aproximassem ainda mais. Já a outra parte do tempo, a dedicação é total ao trabalho – no caso, aos muitos trabalhos. “Faço os conteúdos para as minhas redes sociais, componho músicas, gravo podcasts e estudo repertório”, relata.

Desde adolescente, Luana tem se mostrado multitalentosa na área artística e isso fez com que ela desenvolvesse diferentes talentos. Trabalhou como cabeleireira no salão da irmã (onde fazia de tudo um pouco) e tinha como foco os cabelos naturais, ondulados, cacheados e crespos. Com 11 anos de idade aprendeu crochê com sua avó paterna e, quando engravidou do segundo filho, passou a se dedicar a esse trabalho, participando de feiras de artesanato e enviando peças para outros estados. “Deu super certo e foi bem legal”, orgulha-se.

Como ela mesma diz, “desde que me entendo por gente”, o que sempre gostou foi de cantar, de se expressar e de comunicar. “Mas nunca me notei, eu nunca me vi separada dessas coisas. Sempre foi uma extensão de quem eu era. Cantava muito onde eu estivesse. Já era algo bem atrelado a mim. A música está comigo desde bebê, minha mãe sempre foi muito musical, embora não cante. Sempre ouviu muita música, tinha coleção de fitas de vários intérpretes diferentes. Ouvíamos música no carro indo para escola, ouvíamos para dormir… Eu só fui aprendendo e reproduzindo. E foi exatamente assim que comecei a cantar, reproduzindo exatamente o que eu ouvia, porque nunca tive aulas”, conta um pouco sobre sua paixão.

Seus pais eram sua inspiração, mas foi na igreja que exerceu todo o seu talento. Ela decidiu cantar de forma profissional há quase dois anos, com seus 23 anos, após uma separação, e aí viu a possibilidade de transformar o hobby em uma profissão. Foi quando começou a fazer seus primeiros shows em bares.

“Foi um movimento muito natural também, porque eu tinha uma rotina puxada de trabalho materno e não podia abrir mão de nada, então foi bem gradual. Comecei a gravar meus vídeos. Não investi dinheiro em mim, investi tempo, e acho que, particularmente, esse é o maior investimento que podemos fazer quando temos um sonho. Começar de onde está, usar o que tem, fazer o que dá. Foi o que eu fiz. Comecei a gravar vídeos com meu celular e a postar nas redes. E logo fui chamada pra fazer barzinhos e feiras”, recomenda. “A partir do momento que me posicionei como cantora e encarei como profissão, tudo começou a ganhar forma. Melhorei os ensaios, criei uma rotina pra gravar vídeos. Separei um tempo do meu dia para estudar a música”, indica.

Apesar do apoio da família, nem sempre cantar foi fácil. “Tive medo, pois o cenário artístico é muito amplo e a forma de trabalho é puxada: é show, é gravação, exposição. Sempre tivemos certa cautela e preocupação quanto a mim e às crianças. O medo acabou, visto que agora temos uma rotina de muita união, parceria e, mais que tudo, transparência”, conta.

Como acontece na vida da maioria das pessoas, as dificuldades e obstáculos também surgiram. Pessoas com quem conviveu no início da carreira não acreditavam no seu talento e tentavam desencorajá-la. Ouviu frases do tipo: “Você é mãe, não tem espaço para ser cantora na sua vida”, “Esse sonho é uma utopia, você não vai viver de música” ou “Música não enche a barriga dos seus filhos”.

“Por alguns momentos, me sentia agonizando ouvindo isso. Mas, como diz aquela passagem da Bíblia, ‘Não se pode esconder uma candeia debaixo da cama`. Era certo que eu iria viver meu sonho e brilhar essa luz que estava em mim. Foi eu dar um passo em direção ao que eu queria para que todas essas falas mentirosas se dissipassem”, relembra.

E dissiparam mesmo. Hoje, o que se ouve é uma voz brasileira, rica e potente. Para Luana, o Brasil é um polo artístico muito rico, com uma grande diversidade. “Podemos ser da nossa própria cor, do nosso próprio tamanho, como nossas falas. Sempre há e sempre terá um público para nos acolher. Há muito cantor bom, artista capacitado, que está no anonimato por conta de corrupção na indústria fonográfica, que visa mais o “ter” do que o “ser”, além da corrupção em nosso país”, indigna-se.

Muito de seus cantores preferidos tem esse mesmo nó na garganta, essa fala presa, de contestação. “Os artistas que me inspiram são muitos, mas tenho um altarzinho aqui especial para Elis Regina, Cássia Eller, Elza Soares, Karol Conká, Jessie J, Emicida, Criolo. Quando criança, ouvia muito Cassia Eller, Maurício Manieri e Sampa Crew. Eu gosto muito da MPB e suas variações. Gosto de Rap, de R&B, gosto de samba também”, compartilha suas inspirações. “Em relação às músicas, eu acho que não existe uma música preferida, eu tenho uma música preferida para cada situação. Mas se ela existisse, “Como Nossos Pais” seria a escolhida. Ela explica sua paixão por ser esta canção atemporal, que trata sobre assuntos pertinentes à sociedade, confrontando a alienação e encorajando os jovens a buscar o novo. Esse clássico foi gravado por Belchior, em 1976, em meio à ditadura militar no Brasil, e que fez bastante sucesso na voz de Elis Regina.

“Cantar, para mim, é mais do que sonoridade. É a forma que eu encontrei de existir, de ser resistência, de dizer o que acredito.”

Daqui para frente, Luana deseja continuar cantando, fazendo shows por todo o Brasil e lançando suas músicas autorais.

“Meu sonho é viver da minha arte, dar uma vida com largueza para os meus filhos e família. Nunca desista dos seus sonhos, não absorva as falas negativas, não deixe de viver o que acredita por conta dos que não creem em você. Só existe uma pessoa capaz de viver seu sonho e essa pessoa é você! Não esqueça que para vivermos o extraordinário precisamos executar o ordinário. Se esforce, faça o que pode usando o que tem e comece de onde está. O resto vem!

Luana foi uma das semifinalistas do The Voice Brasil 2020, no time Lulu Santos. Não foi a candidata selecionada para final que alias, é também representante do interior paulista. O futuro? Luana desponta na música brasileira de forma expressiva, expansiva, única. Com sua energia ela domina o palco, os espaços, o mundo, o que ela quiser. É só o começo.

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